Por que a Internet das Coisas vai transformar a gestão de dispositivos móveis

Há muita discussão no mercado falando sobre a Internet das Coisas, a nova moda do momento. E isso acontece por uma boa razão. Se as projeções estiverem corretas, até 2020, mais de 30 mil milhões de objetos estarão conectados à Internet. Além disso, as tendências atuais indicam que essa transformação tecnológica não apenas pertence a “coisas” aleatórias, mas vai ser literalmente onipresente, ou o que alguns estão chamando de Internet of Everything (Internet de Tudo, em tradução livre). John Chambers, CEO da Cisco, afirma que esse espaço terá de 5 a 10 vezes maior impacto na sociedade, assim como a própria Internet, e está projetando um mercado com lucros de US$ 19 trilhões para essa indústria na próxima década.

Um dos problemas levantados em discussões dessa natureza tem a ver com a forma como esses objetos serão gerenciados dentro da crescente infraestrutura de TI do futuro não muito distante. Há algum tempo, as infraestruturas empresariais móveis eram bastante simples – dispositivos Blackberry eram a novidade. Em seguida, graças ao lançamento de smartphones populares e da “consumerização de TI”, alguns funcionários iniciantes começaram a utilizar seus próprios smartphones, tablets e outros dispositivos pessoais no trabalho. Logo, todo mundo aderiu à prática. O BYOD tornou-se generalizado, apesar de uma série de novas dores de cabeça para as empresas antes de finalmente chegarem a um consenso. Mas as empresas de um modo geral fizeram a transição para essa nova realidade em apoio a iOS, Windows e dispositivos Android, além dos tradicionais Blackberries.

À medida que mais funcionários exigiram o uso de seus dispositivos pessoais, a MDM (ou plataformas de gerenciamento de dispositivos móveis) veio à tona para fornecer um quadro para estabelecer as políticas, melhores práticas e tecnologias para lidar com as realidades do BYOD. Assim, uma série de soluções de MDM top de linha, como AirWatch e MobileIron, foram fornecidas às empresas como melhores soluções para a implementação de uma estratégia de BYOD eficiente, segura e escalável em toda empresa.

No entanto, agora, como a Internet das Coisas começa a subir a rampa, estamos entrando em um mundo diferente. Nós não estamos mais falando apenas de alguns dispositivos. O campo do jogo mudou e há um mar de dispositivos prestes a ingressar em nossas vidas daqui a alguns instantes.

Os dispositivos móveis são comumente entendidos como a estrutura primária para controlar a Internet das Coisas. Mas há grandes mudanças no ar, e especialistas estão começando a perceber que o MDM simplesmente não será suficiente para suportar o tsunami de dispositivos que é projetado para varrer a empresa nos próximos 5 anos.

O Gartner entende isso, e está pesquisando sobre essa nova mudança de conceitos de cabeça erguida. Nos resultados, sua alegação é de que a gestão de dispositivos móveis é um equívoco quando se trata do futuro do chamado “gerenciamento de dispositivos”. Mesmo com as mudanças de nome; no universo da Internet das Coisas, tudo agora é um “ponto final”. Em seu relatório de maio de 2014, o Gartner argumentou que todo o mundo do PC e MDM está mudando, incluindo as habilidades necessárias e os processos de TI.

As empresas estão apoiando duas arquiteturas de gestão radicalmente diferentes – uma para PCs e outra para smartphones. PCs são gerenciados através de imagens do sistema, enquanto os smartphones e seus primos, tablets, são gerenciados por meio de um mecanismo mais complexo que se adapta às suas arquiteturas em cada uma de suas áreas restritas. No entanto, em muitos casos, a TI tenta fazer smartphones agirem como PCs por meio de estratégias, tais como contentores, que nada mais são do que uma pseudoimagem do sistema. A TI deve entender as diferenças entre os estilos dos dois tipos de gerenciamento de dispositivos e reconhecer que as arquiteturas de cada área em particular representam o futuro. Assim, a abordagem do quadro da gestão daqui para frente vai resultar em uma categoria de produto chamado Unified Endpoint Management (UEM).

Outras empresas também entendem essa mudança. Na verdade, a IBM oferece uma solução chamada Gerenciamento Unificado de endpoints, que acertadamente assinala o valor principal adicionado a essa abordagem: “A próxima geração do gerenciamento unificado de endpoints vai se concentrar em uma visão holística da relação entre os usuários, os aplicativos que eles usam, os dispositivos e os aplicativos que são executados nele, a rede na qual os aplicativos se comunicam, e os dados que estão sendo compartilhados”.

Se você pensar sobre a “consumerização de TI” e suas tendências ao longo dos últimos 5 anos, o impacto do BYOD nas empresas e aumentar isso em dez vezes, então você poderá começar a entender as implicações da Internet das Coisas e dos wearables no reino do gerenciamento de dispositivos móveis. O paradigma está mudando, e a nova palavra-chave nessa arena é ‘endpoint,’ o UEM. As empresas precisam começar a vislumbrar essa mudança e considerar a vasta gama de wearables que emerge a cada dia, com a IoT conectando dispositivos, smartphones e tablets, e incluir tudo isso em um quadro de gestão global que envolva dados, nuvem e interatividade móvel.

2015 vai ser um ano crucial para mudar o pensamento organizacional longe do MDM para abraçar o que hoje é chamado de gerenciamento de “endpoint”. Estamos vendo grandes sinais dessa mudança atualmente. Os wearables foram um grande sucesso em 2014 e o lançamento iminente do Apple Watch vai tornar o mercado ainda maior. Tudo o que podemos ver neste momento sugere que os wearables e a Internet das Coisas vão ter impactos profundos sobre as empresas e sobre a forma como os dados, os serviços e as plataformas são gerenciados. Não há melhor momento do que o presente para começar a avaliar sua infraestrutura de TI e a abordagem da gestão para garantir apoio para a integração de wearables, dispositivos móveis e Internet das Coisas em um quadro de gestão unificada de endpoint. Não tente ferver o oceano, mas, pelo menos, comece hoje mesmo pela adoção de uma mentalidade que faça com que “endpoints” sejam uma parte fundamental de sua estratégia de gestão de dispositivos móveis em 2015.

Texto por Hovhannes Avoyan  para o iMasters