Comparativo CLT x PJ

Hoje em dia no mercado de TI (nem só TI, mas TI principalmente), existem várias maneiras de contratação, das quais as mais utilizadas são:

* CLT: Registrado com carteira de trabalho assinada, férias, etc
* PJ: Pessoa Jurídica, na qual o profissional tem que abrir uma empresa e vira um prestador de serviço.

Existem variações da CLT, como a tal de CLT Flex, na qual o funcionário é registrado por um valor menor e recebe o resto legalmente “por fora”. Outra variação é o registro CLT por um valor baixo e recebimento de participação nos lucros na empresa bimestralmente. No meu ponto de vista, estas variações são piadas de mal gosto e nem comento aqui, mas infelizmente essas são as saídas de muitos profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho e tem que se “submeter” a tal modalidade.

Em síntese, um profissional registrado como CLT tem todos os direitos previstos na legislação brasileira, tais como: 13, férias, FGTS, etc. Porém ele paga uma alta carga tributária e o valor líquido que ele recebe é menor que o valor bruto, ou seja, o valor registrado em carteira. Um profissional registrado por 4500 reais, recebe aproximadamente 3600 ao final do mês, um desconto de quase mil reais!
Um profissional que presta serviço através de sua empresa (PJ), tem por características pagar menos impostos e ter menos benefícios, portanto, o valor líquido que ele pega em mãos, é muito maior, além disso, as empresas que contratam um profissional PJ, tem um custo muito menos para manter o “funcionário”, portanto, podem pagar mais pelo seu trabalho.

Colocando isso em números para podermos comparar as duas modalidades de contratação, vamos a um exemplo abaixo:

Profissional CLT registrado por 4500 reais.

Profissional PJ com o valor hora de 50 reais calculando um mês de 168 horas. (50 * 168 = 8400) – Este valor hora é de um programador Java Sênior, mas podem haver variações.

Para calcularmos o real salário do funcionário CLT, não basta somente verificar o valor que ele recebe líquido, temos que colocar todos os benefícios na equação, alguns exemplos são:

3600 – Valor líquido ao fim do mês
400 – INSS (este valor retorna algum dia na aposentadoria)
300 – 13 (valor do 13 dividido por 12)
300 – 14 (algumas empresas tem 14/Participação nos lucros, é a mesma conta que para o 13)
1000 – Plano de saúde executivo familiar (profissional + esposa + filhos – eu cotei o melhor plano da Amil)
250 – Ticket refeição
250 – Vale transporte

Os benefícios variam de empresa para empresa, então esta conta é bem pessoal, citado acima alguns exemplos comuns, baseado nestes exemplos, podemos dizer que o salario do profissional CLT é então:

3600 + 2500 = 6100

Agora, calculando o valor do profissional PJ, temos 50 * 168 = 8400.

Os valores do CLT e do PJ podem variar com adição de horas extras, mas NUNCA se deve levar em consideração este fator, visto que é algo que pode não existir.

Em cima do valor de 8400, o profissional PJ vai pagar aproximadamente 15% de impostos/escritório/etc, é um valor alto, mas a média é entre 10 a 15% mesmo, para fazermos estas contas, sempre devemos chutar alto.

Descontados os 15%, o PJ tem ao final do mês 7140 reais na mão. Agora veja que o PJ não tem NENHUM dos benefícios do CLT, então este valor dos benefícios deve ser descontado do PJ:
7140 – 2500(benefícios do CLT) = 4640

Agora destes 4640, desconta-se o salário líquido do CLT (3600), que vai dar uma diferença de 1040.

Concluindo:

Existem ‘N’ fatores que podem entrar nesta equação, o CLT pode ter mais ou menos benefícios, o PJ pode ter algum benefício também, porém em geral, O CLT tem que considerar que tem férias, licenças (maternidade, doença, seguro desemprego, etc)FGTS, etc.. enquanto o PJ não tem NADA disso, se ele quiser o benefício, vai ter que pagar de seu próprio bolso.

Outro fator que muitas pessoas consideram é a estabilidade do CLT. Para uma empresa mandar um profissional PJ “embora”, é muito mais prático e não tem custo algum, no máximo tem um contrato assinado que normalmente dá até este direito para a empresa, ai o PJ vai embora sem receber nada! Para mandar um CLT para a rua, é caro! Uma empresa sempre vai preferir mandar o PJ para a rua! Eu não levaria em consideração este fator na área de TI se você for um bom profissional (bom CV, falar inglês, etc), pois o mercado é aquecido e não faltam vagas.

O PJ normalmente não tem plano de carreira, o CLT costuma ter. Algumas empresas também pagam cursos para os profissionais CLT, e isso tem seu valor e tem que entrar na conta.

Por outro lado, o PJ pode trabalhar muito, fazer horas extras irreais, e recebera por isso, um CLT, esta limitado legalmente em seu numero de horas (40 horas mês).

Para abrir uma empresa para prestar serviço como PJ, você vai ter um custo, e para fechar a empresa vai ter um custo maior ainda, o CLT não tem custo algum (só o da foto 3×4 :-)).

Se um PJ falta do trabalho, o problema é dele, até com atestado médico, e não vai receber por isso, então ele não pode nem pensar em ficar doente! Se o CLT falta, com atestado, ele recebe normalmente, se fica doente, tem amparo legal!

Legalmente, uma empresa (PJ) deve gastar o lucro da empresa com A empresa, o que a maioria das pessoas faz é simplesmente pegar esse dinheiro e torrar com gastos pessoais, casas, carros, etc. Se a empresa cai em um pente fino da Receita Federal, irá pagar uma multa sobre tudo que não for comprovado como gasto da empresa PJ, ou seja, sobre TODA sua retirada! Tenho amigos que cairam nessa e demoraram mais que 5 anos para se “levantar” financeiramente.

Agora, se perguntarem qual minha preferencia, eu digo categoricamente: CLT.

O valor PJ tem que ser muito alto para justificar uma migração para o mesmo. Tem que dar dinheiro para pagar todos os benefícios do CLT e sobrar. As vezes as pessoas só olham o valor direto que o PJ rende e não olham os outros valores que o CLT propicia e caem em ilusões!

Ao analisar uma proposta, coloque TODOS os fatores na ponta do lápis e não tome uma decisão precipitada.

Texto do Juliano Marcos Martins para o site APInfo