terça-feira, 16 dezembro 2008 07:38 por
leolima77
A tão comentada neutralidade na web está perdendo um de seus mais poderosos defensores. O Google está conversando com grandes operadoras de telefonia e provedores de conexão a cabo dos EUA. O objetivo, segundo reportagem do Wall Street Journal, é criar uma espécie de “via expressa” para o conteúdo transmitido pelo mecanismo de busca.
A postura do Google contraria praticamente todo o conceito de neutralidade na web, que afirma que os provedores de conexão à internet devem tratar todos os provedores de conteúdo da mesma maneira.
Os provedores de acesso à web, porém, argumentam que os provedores de conteúdo devem “rachar a conta”, principalmente porque o tráfego de dados vem crescendo cerca de 50% anualmente - a popularização dos serviços de vídeo online é uma das explicações para esse crescimento.
Uma maneira de o Google, dono do YouTube, site de vídeo com maior audiência da web, compensar os provedores de acesso é a criação de uma “via expressa” exclusiva para seus dados. Claro, o Google pagaria para ter esse canal de dados.
Segundo o WSJ, a proposta do Google, chamada de OpenEdge, seria pagar para colocar os servidores da empresa dentro da rede dos principais provedores de acesso à web. Com isso, o serviço do Google seria mais rápido para os internautas e daria uma vantagem competitiva que outras empresas não teriam como bancar.
Apesar de o acordo ser, teoricamente, favorável, as empresas provedoras de acesso à web ainda estão relutando em fechar um acordo com o Google. Um grande provedor, por exemplo, teme que a criação da “via expressa” possa violar as diretrizes da Federal Communications Comission (FCC) para a neutralidade na web.
Separadamente, a Microsoft e o Yahoo deixaram, sem anunciar, uma coalizão formada dois anos atrás para proteger a neutralidade na web. Cada companhia fechou parcerias próprias com os provedores de acesso à rede mundial de computadores.
O grande problema da neutralidade na web é que os provedores de acesso podem priorizar determinadas páginas web de acordo com o valor pago pelos sites. Por exemplo, a Americanas.com pode ter prioridade - e oferecer um site mais rápido - simplesmente porque pagou mais para um provedor de acesso. Enquanto, isso uma loja mais simples ofereceria um serviço mais lento, pois não pagou para um provedor de acesso.
O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, já afirmou que é a favor da neutralidade na web e de que lutará para mantê-la. Mas só depois que ele tomar posse é que vamos saber se Obama vai manter sua palavra.
Fonte: IDG Now
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