Romero Rodrigues detalha mudanças no Buscapé após compra pela Naspers

terça-feira, 29 setembro 2009 12:21 por leolima77
A compra de 91% do Buscapé pelo conglomerado Naspers por 342 milhões de dólares não afetará o dia a dia da operação, garantiu o cofundador do serviço de comparação de preços, Romero Rodrigues, em entrevista nesta terça-feira (29/9).

Para Rodrigues, a principal mudança estará em seu papel – ao invés de reportar para um sócio majoritário em Boston, onde fica o fundo Great Hill Partners, responsável pelo aporte financeiro que permitiu a compra do rival BondFaro em maio de 2006, o executivo se reportará à sede do conglomerado de mídia sul-africano na Cidade do Cabo.

Fontes próximas afirmam que a compra acontece na segunda negociação entre Naspers e Buscapé – no primeiro semestre de 2008, o grupo já havia se aproximado do serviço brasileiro, mas as negociações não avançaram.

Na época, o Buscapé mantinha negociações com outros potenciais compradores, como a Microsoft (que acabou comprando no mesmo ano o comparador europeu de preços Ciao, por 486 milhões de dólares) e a rede de varejo Wal-Mart.

A Naspers se reaproximou do Buscapé “entre maio e junho deste ano” e acabou concretizando o negócio, afirmam as fontes.

Após passar a madrugada acompanhando a divulgação da compra pela Naspers na abertura do mercado da África do Sul e comunicar aos funcionários a aquisição, Romero falou ao IDG Now!.

A Naspers ficou com 91% do Buscapé. Quem fica com os 9% restantes?

Os quatro fundadores que continuam no negócio (três do Buscapé mais Rodrigo Guarino, fundador do BondFaro) e opções de ações emitidas para cerca de 40 colaboradores da companhia, entre executivos, gerentes e engenheiros. A empresa tem a cultura de oferecer "stock options" após anos de contribuição.

O que muda no dia a dia do Buscapé com a compra?

Não haverá cortes. Uma coisa que nos atraiu na Naspers foi o estilo de trabalho. As operações compradas anteriormente (pela Naspers) continuaram independentes. No dia a dia da empresa nada vai  ser alterado. Meu papel só muda um pouco - antes, tinha um acionista majoritário que ficava em Boston (o fundo de investimentos Great Hill Partners). Agora, o acionista fica na Cidade do Cabo.

Haverá integração do Buscapé com outras plataformas de comércio eletrônico da Naspers?

A empresa continuará independente, gerenciada de forma totalmente separada. Esperamos ter troca de "know how", já que somos avançados na comparação de preços e afiliados, enquanto eles (serviços como a Tradus, comprada em dezembro de 2007 por 1,9 bilhão de dólares) são bons em classificados.

Fontes dizem que esta foi a segunda negociação entre Naspers e Buscapé. Você confirma?

É um namoro longo dos dois lados. Víamos interesse comum em alinhamento de cultura. Para os fundadores do Buscapé, é projeto bacana - vamos virar submarca de outra empresa e podemos ser a sessão de shopping de outro portal. Seremos a nave-mãe na região (América Latina). Como fundador, mais importante do que a questão financeira é perpetuar a marca e a empresa toda.

Com a compra, a emissão inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) do Buscapé, planejada para 2011, acontecerá?

A ideia do IPO não faz muito sentido agora. Já temos sócio financeiro próprio. A Naspers, porém, já fez IPOs de outras empresas que comprou. A resposta mais sincera seria "isto não foi discutido ainda".

Outras fontes afirmam que a compra foi fechada no final de agosto, mas havia desacordo entre Buscapé e Naspers sobre quem pagaria as opções de ações reservadas aos colaboradores da empresa.
(Esta questão das opções de ações) não foi impedimento do mercado. Demos aos colaboradores a opção de exercer ou não seus "shares". Na prática, estes "shares" serão comprados pela Naspers quando ela adquiriu a empresa. Também se fosse o Buscapé quem devesse pagar isto não faria tanta diferença.

Os planos de internacionalização do Buscapé serão aprofundados?

A internacionalização continua, claro, com a vantagem de podermos nos dedicar a projetos mais longos. A beleza do acordo com um private equity é que podemos pensar em investimentos e produtos para não darem retorno em até 10 anos. A Naspers não vai sair do negócio em pouco tempo.

Fonte: IDG Now
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